Silvio Santos e a Química na televisão: a casa é sua pode entrar

 

             Pompons coloridos em punho, agitados para o ar em sintonia, coro uníssono: era muito mais que plateia, eram as “colegas de trabalho”. Esse termo, designado pelo eterno Sílvio Santos já perceptível que o empreendedorismo estava presente.  Longe de ser chefe no sentido marxista, e sim, um líder que comandava uma horda de alegrias [de divertimento aos domingos!], – popularizada ao longo das últimas décadas com a destreza de que quem comanda um exército sem armas, sem austeridade. Dele, a gente só via alguns “aviõeszinhos decolarem” das tuas mãos. Era um dos meus sonhos de criança: estar naquela plateia para pegar tais “aeroplanos” e, comprar doces, claro.

O dono do Baú da Felicidade foi o próprio criador e criatura, ele “fez” uma televisão mais despojada, sem scripts e engessamento. Ele sabia como ninguém comandar quadros como “É namoro ou amizade?” (quem lembra do Em Nome do Amor? Dizem que, o Tinder foi inspirado em tal programa!), flertando de modo inteligentíssimo com as caravanas que chegavam aos estúdios do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e com os telespectadores que se sentavam ao sofá, ora reunidos com a família ou não. Silvio conduzia um Brasil inteiro, com prudência, com perspicácia – com uma risada engraçadíssima, ele ria copiosamente seja ao meio do auditório ou trocava selinhos no sofá acolchoado de uma espevitada senhora (que saudade, Dercy Gonçalves!).

O traje sempre foi o mesmo, terno com caimento impecável, cabelo alinhado e um microfone preso ao colarinho que tornou-se sua marca registrada. Friso que, o icônico aparelho capturador de voz foi o primeiro sem fio em programas televisivos. Se em vida, no próximo dia 12, o Senor Abravanel completaria 94 anos. De vendedor ambulante ao mais popular comunicador da TV brasileira e empresário, um “case” de sucesso que é estudado e referenciado nos mais diversos veículos de informação, a história dele é benquista em todos os setores. Mas, será que há relação entre o proprietário da “Tele Sena” e a Química?

Em primeira instância, não. Porém, em segunda, precisar-se-á grafar em letras garrafais, SIM. Pois, sem a Química a imagem magnânima do criador do “Domingo no Parque” não seria possível ser conhecida tais como os demais talentos artísticos por ele apresentados. Parece blasé, mas a Química está presente em tudo ao nosso redor, mas em tudo mesmo, inclusive, na televisão. É por causa dela que é possível visualizar imagens! Através de um efeito, a luminescência, que é possível obter as imagens projetadas nas telas. Esse resultado está relacionado com a capacidade de um material emitir luz após receber algum estímulo.

Como ocorre o processo de luminescência? (para maiores informações sobre a temática, recomendo que visitem o perfil no Instagram @lumiam_ufal, Laboratório de Materiais Luminescentes e Estudos Ambientes, coordenado pelas minhas amigas Profas. Dras. Cíntya Barbosa e Daniela Anunciação) Bom, vamos imaginar a seguinte situação: supunha que você está numa cafeteria e teu doce preferido encontra-se exposto no balcão do 2º piso. Você decide buscá-lo, para isso, precisa utilizar a escada como forma de acesso. Você está no primeiro degrau e após o estímulo adequado (a vontade de comer teu doce!) vai para um degrau mais elevado até chegar ao pavimento superior. Em seguida, você refaz o caminho até retornar ao primeiro degrau e volta ao teu lugar.  Tudo bem até aqui? De forma análoga, acontece com o elétron. Ele faz o mesmo caminho que você fez para ir pegar teu doce: primeiro degrau >> degrau mais elevado >>>> degrau mais elevado >> primeiro degrau. Esse estado, no degrau mais elevado, recebe o nome de “estado excitado”. Após um período de tempo, o elétron volta para o primeiro degrau, chamado de “estado fundamental”, e é nesse retorno que ocorre a emissão de energia, podendo ser na forma de calor ou luz (fótons).
         No parágrafo supracitado, podemos simplificar que o funcionamento dos televisores é competente ao efeito da emissão da luz quando os elétrons excitados retornam ao seu estado fundamental. Aliás, o mesmo princípio acontece nas telas de monitores, notebooks, celulares, entre outros dispositivos eletrônicos. O que vimos aqui, é apenas um pouco da Química responsável pela formação das imagens que tanto nos fascina e nos deixam com olhos vibrantes. Ademais, por dentro de um televisor há muita química que a explicação aqui seria extensa e complexa.

 No seu surgimento, não havia outra maneira de entreter o público a não ser pelo acesso à televisão. Era preciso carisma, ter “força no gogó”! Tínhamos apenas a TV aberta, sem canais pagos, onde sistema de streaming briga por audiências. Fecho os olhos e lembro do bordão “MA OH Ê” ou “QUEM QUER DINHEIRO?” (e chuva de aviõeszinhos!). Quem quiser aprender com o Silvio, pode e deve! Um legado pautado na valorização da produção cultural brasileira (os quadros não eram cópias ou releituras de outras emissoras internacionais), na programação diversificada (agradava “gregos e troianos”), na sociabilidade comunicacional (regido pela transparência e verdade) e na conexão genuína com o público.
Quando todos, mais e mais, querem “parecer ser algo” pela curtida ou visualizações de “reels”, Silvio ensinou “Qual é a música”. Nela, o verso da simplicidade é sustentado por uma rima, a da autenticidade (hoje: conta-se quem tem!). Na era do cancelamento e dos filtros, não há NINGUÉM, seja em TV aberta ou fechada, ou em algum @ de muitos seguidores, destemido o suficiente para dar continuidade a este formato ritmado de controversas atitudes. Silvio podia até ‘Topar’ Tudo Por Dinheiro, mas sabia equilibrar o que o povo quer e o que o povo não precisa. Afinal, ele quem permitia abrir as “Portas da Esperança”. 

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