Os Embalos de Sábado à Noite e a Química: unidos pela disco music
Há 45 anos estreava o icônico (e lendário) Os Embalos de Sábado à Noite (do inglês, Saturday Night Fever), no Brasil. Frisa-se que, até o momento, o longa-metragem ocupa a 11ª posição no ranking das maiores bilheterias do país, uma vez que, trasladou mais de 6 milhões de espectadores aos cinemas em todo território nacional.Temos que nos atentar, era década de 70, sem impactos de canais de streaming, redes sociais, o único veículo de aceitação e/ou divulgação era a tela da sétima arte! E, a posteriori, o som frenético das discotecas ditavam todo e qualquer sucesso.
Preliminarmente, é preciso trazer à baila que, o filme foi inspirado num artigo de jornal New York Post, junho de 1976 – Tribal Rites of the New Saturday Night (Os ritos tribais da nova noite de sábado, em tradução livre) – onde foi relatado o comportamento daqueles jovens nova-iorquinos do distrito de Bay Ridge (no Brooklyn) que queriam ascender na vida.Conquanto a obra cinematográfica seja lembrada pela dança e música Stayin Alive (Mantendo-se Vivo, em tradução livre), dos Bee Gees – ela descreve o drama de jovens trabalhadores que buscam encontrar a identidade, a inserção social e de uma integração ao imponente [ditador] mundo da moda.
E, por falar em Brooklyn, o filme tem início com uma bela imagem aérea da “sua” ponte, essa que interliga dos dois bairros (Brooklyn e Manhattan) famosos da Big Apple. Dois mundos paralelos, apenas separados por uma ponte: o antagonismo entre um arraial da decadência e um outro da ascensão (a tão sonhada!). Em seguida, um jovem com uma lata de tinta na mão é o destaque, com um caminhar dançante, roupa alinhada (e impecável!), e o cabelo a la brilhantina (pomada para o cabelo à base de vaselina!). Era ele, o Tony Manero, personagem que consagrou John Travolta – que durante o dia era vendedor de uma loja de tintas e nas noites dos sábados era o rei da pista na Odyssey 2001, a discoteca mais descolada naquele momento.
Em suma, o filme retrata o idealismo da juventude: o que é, onde se está e aonde se quer chegar. A dicotomia que versa entre as horas das noites regadas ao disco music, com as roupas coloridas e muito brilho, com a incompreensão do cotidiano, o trabalho árduo, sem chance de crescimento profissional, e remuneração aquém. Outrossim, é possível destacar questões relacionados com [contextualização] das ciências. A lata de tinta que aparece na abertura pode ser entendida como uma metáfora e um pontapé inicial para se entender Química.
Na metáfora, consiste no domínio da venda do personagem Tony, que possui vida comum, vive com os pais, a avó e a irmã e trabalha numa loja de tintas, mas não se sente feliz. Contraponto com o domínio da pista, onde Tony se sente livre e alegre, sem carregar qualquer lata na mão, uma vez que se sente feliz quando dança. A Química das tintas é assunto peculiar e pode ajudá-los a entender muitos assuntos. A priori, a utilização das tintas não é somente para fins estéticos, e sim, proteção (recobrimento superficial). A origem das tintas remonta nos tempos pré-históricos, quando os antigos habitantes da terra registravam suas atividades em figuras (rupestres) coloridas nas paredes das cavernas, que eram provavelmente constituídas por florais ou argilas suspensas em água.
Os egípcios, desde os primórdios, desenvolveram a arte de pintar. E, em 1000 a. C., descobriram os antecessores dos vernizes atuais, usando resinas naturais ou cera de abelha como o ingrediente formador de película. Em linhas gerais, a composição química das tintas é constituída por pigmento (partículas extremamente pequenas), um agente de suspensão e uma substância adesiva (o que mantém a fixação da tinta na superfície aplicada). Os pigmentos são (nano)partículas que tem como função aumentar o poder de cobertura, têm o poder de reduzir o brilho e o reflexo das tintas. A depender do tamanho e formatos de pigmentos, é possível obter tintas com diversos níveis de brilho. Eles são quimicamente inertes ou quando não, apresentam uma toxidade baixa. Um exemplo clássico de pigmento é o dióxido de titânio (TiO2), composto de coloração branca que tem inúmeras aplicabilidade, desde o uso nos cascos de navios, em dutos para combater a ferrugem (oxidação), em produtos alimentícios (cremes, coberturas, sorvetes, doces etc., tornando-os mais atraentes), em medicamentos, em produtos dermocosméticos (protetor solar, hidratantes, sérum facial etc.). Entretanto, estudos recentes (datados de 2022) apontam que o uso deste pigmento não é seguro (mesmo em baixa concentração) à saúde humana, na contramão, outros estudos (também, datados de 2022) revelaram que tal composto não agrega valor nutricional, o que o torna “neutro”, inofensivo.
Na realidade, Os Embalos de Sábado à Noite é um drama musical, aborda a insatisfação com a vida. A dança é o centro do longa que prende o telespectador do início ao fim, tendo a trilha sonora mais tocada nos últimos tempos (aqui vale lembrar do “boom” do grupo Bee Gees!). Como filme, recomendo assisti-lo, é um como se fosse uma viagem ao tempo, ademais ele aborda questões sobre o uso de drogas, do suicídio, da aceitação, da aparição perante um grupo, da afirmação e pertencimento. A sexualização do corpo, o mesmo numa vitrine exposto na pista de dança, aqui podemos fazer uma ponte com o momento atual: a mesma sexualização execrada que é apresentada nas redes socias e demais aplicativos de “relacionamentos”, onde a “curtida” ou o “match” valem muito. Será?
Será que essa exposição é uma forma de esquecer a dura realidade da vida e a falta de perspectiva para o futuro? Ou será o vazio existencial? Quais as “curvas” mais bonitas? As do corpo ou do intelecto? O que será? Pode ser que tais pessoas estão seguindo o baile dos Bee Gees: “… Ah, ah, ah, ah, stayin’ alive, stayin’ alive…” Bom, cada um dança conforme sua música!
Nota: publicada originalmente em 20/04/2023.

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